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domingo, 21 de fevereiro de 2010

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Silvio Luiz

Milho de pipoca - Rubem Alves

"Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre." 



Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo.

Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser.

Mas, de repente, vem o fogo. O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder o emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo! Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também.

Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que esta sendo preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM! E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.

Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura. No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras, a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém.

Extraído do livro "O amor que acende a lua", de Rubem Alves





segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Carnaval e Mascarados

Carnaval, festa das máscaras
Das cores e do samba
Ritmo quente que envolve
Da cabeça aos pés.
Mascarados aqui e ali
Cantando e dançando
Foliões festejando, enfim...
Entretando, alguns levam
O Carnaval de um modo tão sério
Que continuam a usar
Suas máscaras e disfarces
O ano todo...
A vida é uma grande festa
Mas, seria tão interessante
Se os foliões fossem
Aquilo que são na realidade
Por trás das máscaras.
O mundo seria mais bonito
Se as pessoas não fizessem
De suas fantasias e máscaras
Suas roupas definitivas!


Silvio Luiz

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